Dia Mundial de combate à hanseníase concentra ações de prevenção neste domingo

Conferencia Saúde 15 Informações Saudáveis para uma Vida Susntentável

Dia Mundial de combate à hanseníase concentra ações de prevenção neste domingo

A semana mundial de luta contra a hanseníase (sempre a última de janeiro) terá, neste domingo (31.1), a intensificação de ações de divulgação de alertas à sociedade sobre os sinais e sintomas da doença e incentivar a procura pelos serviços de saúde, segundo o conselheiro nacional Eni Carajá Filho, secretario-geral do Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

Além de mobilizar os profissionais de saúde na busca ativa de casos novos, a campanha divulga a oferta de tratamento completo no Sistema Único de Saúde (SUS) e promove atividades de educação em saúde que favoreçam a redução do estigma e do preconceito.

O Dia Mundial traz grande visibilidade para a hanseníase no que se refere à divulgação de sinais e sintomas com objetivo de diagnosticar e tratar os casos existentes, o mais precocemente possível e também para a promoção e defesa dos direitos das pessoas acometidas pela doença e seus familiares.

Campanha – A campanha publicitária do Ministério da Saúde, com o lema: “Hanseníase: Quanto antes você descobrir mais cedo vai se curar”, consiste em cartaz, folder e filipetas-marcador de página, para serem distribuídos para agentes e profissionais de saúde, líderes comunitários e expostos em ônibus. O Ministério orienta que as ações de vigilância propostas nos estados e municípios ocorram a partir do dia 27 de janeiro, se estendendo nos meses seguintes, conforme estruturação local.

Uma das atividades proposta é a iluminação de monumentos públicos em todas as capitais brasileiras na cor “Roxo – Medium Purple”, com a identificação de nº 49 da Grade de Cores, com o objetivo de alertar a sociedade sobre o referido agravo, contribuindo para a eliminação do estigma e do preconceito contra as pessoas afetadas pela hanseníase e seus familiares.

Minas – Coordenador do Morhan em Minas Gerais, o conselheiro Eni informa conclama os mineiros a participar de uma “Caminhada em Prol da Hanseníase”, na Lagoa da Pampulha para o dia 31 de janeiro de 9 às 12 horas.

Já em Betim, está programado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, Prefeitura Municipal e Morhan, o 23º Concerto Contra o Preconceito, na Colônia Santa Isabel com várias atividades educativas e culturais, como o CURSO: “Intervenções Terapêuticas e autocuidado do paciente no controle da hanseníase”, no dia 29, sexta feira, de 9 às 17 horas e Shows no sábado, dia 30 e domingo, dia 31 de janeiro.

A divulgação dos sinais e sintomas da hanseníase e do seu tratamento e cura é uma importante arma no combate à doença. A hanseníase sempre foi cercada por um grande estigma e preconceito, devido às deformidades que podem acontecer quando o tratamento não é feito precocemente e de modo adequado.

É importante que as pessoas saibam que a hanseníase tem cura e que o tratamento é gratuito e está disponível nas unidades de saúde pública. Vale ressaltar que imediatamente após iniciar o tratamento, que dura entre 6 a 12 meses, os pacientes já não mais a transmitem para as pessoas com quem convivem, mesmo os doentes da forma contagiosa, que correspondem a cerca de 30% do total de casos diagnosticados. Os contatos intra-domiciliares dos pacientes com hanseníase têm maior risco de desenvolver a doença, portanto, devem ser examinados e orientados.

Se a população em geral souber identificar os sinais e sintomas da hanseníase e buscar o diagnóstico mais precocemente possível, terá muito mais chances de não desenvolver deformidades, e o tratamento realizado por um menor tempo.

Atenção especial deve ser dada aos casos que ocorrem em menores de 15 anos, situação que exige a intensificação das ações de vigilância epidemiológica. A melhoria da informação e do acesso ao diagnóstico, tratamento, prevenção e reabilitação de incapacidades, nos vários níveis de atenção à saúde é compromisso de todos para a assistência integral adequada e oportuna à pessoa com hanseníase.

Morhan – Criado e organizado por pacientes de hanseníase, o Morhan vai completa 35 anos dedicados à luta pela dignidade e combate ao preconceito e se consolida como um dos mais importantes movimentos sociais de luta do Brasil.

O Morhan foi idealizado por Francisco Augusto (Bacurau) em 6 de junho de 1981. A grande novidade é que era uma entidade especificamente do excluído e não ‘para o doente’ ou ‘de apoio ao doente’. Com núcleos espalhados pelo país e uma coordenação nacional, o Movimento vem mudando a maneira dos brasileiros se posicionarem em relação à hanseníase.

Hoje, o Morhan é referência mundial no debate sobre hanseníase e dentre suas ações estão os embates políticos para o controle da doença, o combate permanente ao preconceito e a defesa dos direitos dos ex-portadores da doença.

Hansen – A hanseníase é doença infecciosa, crônica, causada por uma bactéria – M. leprae – e que afeta a pele e os nervos periféricos, em especial os dos olhos, braços e pernas. A hanseníase tem cura e se tratada precocemente e de forma adequada, pode evitar as incapacidades e as sequelas.

Qualquer mancha na pele ou área de pele aparentemente normal, mas com alteração de sensibilidade, pode ser hanseníase. Neste caso o paciente deve procurar uma unidade de saúde para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento.

Embora, o número de casos de hanseníase tem diminuído nos últimos anos, no mundo e no Brasil, estamos ainda distantes do real controle desta doença. Em 2014, a Organização Mundial de Saúde recebeu a notificação de 213.889 casos novos de hanseníase de 121 países, sendo que 13 destes países tiveram mais de 1.000 novos casos, dos quais a Índia com 125.785 (58,8% do total) e o Brasil com 31.064 (14,5% do total).

A hanseníase é uma das prioridades de ação na área de saúde do governo brasileiro, já há alguns anos. O Estado de Minas Gerais vem notificando cerca de 1400 casos novos a cada ano nos últimos 5 anos. Em 2014, foram 1.215 novos casos, significando 5,86 novos diagnósticos em cada 100 mil habitantes, dos quais 4,5% (55) foram em menores de 15 anos.

O acometimento de crianças pressupõe a presença de adultos doentes sem diagnóstico e sem tratamento, convivendo e transmitindo a hanseníase para crianças e adolescentes. Do total de casos novos notificados em 2014, 10,9% foram diagnosticados com deformidade, indicando um percentual ainda elevado de diagnóstico tardio.

Por Márcio Venciguerra, do CNS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *