Movimento Popular leva discussão sobre o uso excessivo de Agrotóxicos para a 15ª CNS

Conferencia Saúde 15 Informações Saudáveis para uma Vida Susntentável

Movimento Popular leva discussão sobre o uso excessivo de Agrotóxicos para a 15ª CNS

No terceiro dia do evento a Manifestação contra o uso dos agrotóxicos marcou a manhã dessa quinta-feira (3). Chamado de o “1º Encontro dos Movimentos Populares do Campo, das Florestas e Águas” reuniram mais de 1500 manifestantes na porta do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, além de 19 movimentos como o “Movimento dos Sem Terra-MST”, o “Movimento dos atingidos por barragens”, e outros, todos em defesa do SUS.

Para Maria Cazé, militante e uma das líderes do “Movimento das Mulheres Camponesas”, é importante lutar contra o excesso de veneno que o Brasil vem produzindo e usando nas lavouras. “O Brasil, hoje, é um dos cinco maiores consumidores de agrotóxicos do mundo e com isso compromete a saúde pública seja dos trabalhadores do campo e suas famílias, como também gerando a contaminação do meio ambiente” afirma ela.

Existem cerca de 15.000 formulações para 400 agrotóxicos diferentes, sendo que cerca de 8.000 encontram-se licenciadas no Brasil.

Perigos e Sintomas

Pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS, em 12 países da América Latina e Caribe, mostrou que o envenenamento por produtos químicos, principalmente pelo chumbo e pelos pesticidas, representa 15% de todas as doenças profissionais notificadas. O índice de 15%, antes mencionado, pode parecer baixo, mas a Organização Mundial de Saúde – OMS afirma que apenas 1/6 (16,6%) dos acidentes são oficialmente registrados e que 70% dos casos de intoxicação ocorrem em países do terceiro mundo, sendo que os inseticidas organofosforados são os responsáveis por 70% das intoxicações agudas. O manuseio inadequado de agrotóxicos é, portanto, um dos principais responsáveis por acidentes de trabalho no campo. A ação das substâncias químicas no organismo humano pode ser lenta e demorar anos para se manifestar. O uso de agrotóxicos tem causado diversas vítimas fatais, além de abortos, fetos com má-formação, suicídios, câncer, dermatoses e outras doenças. Segundo a OMS, há 20.000 óbitos/ano em consequência da manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas nos países em desenvolvimento.

Há três tipos de intoxicação por agrotóxico: aguda, subaguda e crônica. Na aguda, os sintomas surgem rapidamente. Na intoxicação subaguda, os sintomas aparecem aos poucos: dor de cabeça, dor de estômago e sonolência. Já a intoxicação crônica, pode surgir meses ou anos após a exposição e pode levar a paralisias e doenças, como o câncer.

PARA – Programa Nacional de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos

O PARA é o Projeto de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos que se iniciou em 2001 como projeto e em 2003 tornou-se um programa da ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). Ele tem como objetivo implantar ações de controle e estruturar um serviço para avaliar a qualidade dos alimentos em relação aos resíduos de agrotóxicos.

Os alimentos que serão analisados são coletados nos supermercados das cidades participantes e uma amostra é enviada para análise laboratorial afim de verificar se os alimentos comercializados possuem qualidade de acordo com as autorizações de uso dos agrotóxicos e os limites de resíduos de agrotóxicos estabelecidos pela ANVISA. Após a análise, os resultados são divulgados e orientações são feitas ao consumidor sobre os cuidados para reduzir os resíduos de agrotóxicos nos alimentos.

As medidas adotadas até o momento não são de caráter fiscal junto ao setor varejista e sim de orientação tanto para os supermercados, na busca de qualificar os seus fornecedores, como para os produtores rurais, no sentido de que adotem integralmente as Boas Práticas Agrícolas (BPA). O PARA também é um sinalizador para que sejam tomadas ações regionais, sejam elas de natureza fiscal, educativa ou informativa, de acordo com as peculiaridades de cada Estado.

Este Programa é uma ação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), coordenado pela ANVISA em conjunto com os órgãos de vigilância sanitária de 25 estados participantes e o Distrito Federal.

Ao longo dos 9 anos do PARA foram obtidas conquistas que beneficiam todos os agentes das cadeias produtivas das culturas monitoradas pelo PARA, os quais podem, com os resultados do programa, desenhar estratégias integradas para intervir com ações na produção e comercialização de alimentos que estejam livres da contaminação por agrotóxicos.

Fontes:

OPAS/OMS

Anvisa/MS

Da Redação

TextoBruna Bonelli

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *